Avião da FAB localiza seis pescadores desaparecidos no litoral do Ceará após sete dias sem contato

Edward Thornfield
Edward Thornfield

Aeronave SC-105 Amazonas encontrou barco a cerca de 480 km de Fortaleza; seis tripulantes foram localizados vivos após operação conjunta com a Marinha.

Uma operação de busca e salvamento conseguiu localizar vivos os seis pescadores que estavam sem comunicação havia sete dias no litoral do Ceará. A embarcação pesqueira havia saído de Itarema, no Litoral Oeste, em 17 de agosto e manteve seu último contato em 27 de agosto. Depois disso, a ausência de notícias mobilizou meios marítimos e aéreos da Marinha do Brasil e da Força Aérea Brasileira (FAB), além de embarcações que navegavam pela região. O desfecho ocorreu na quinta-feira, 3 de setembro, e foi confirmado oficialmente pela FAB nesta sexta-feira (4).

O barco foi encontrado pelo SC-105 Amazonas do Esquadrão Pelicano, unidade especializada em missões de busca e salvamento. De acordo com a FAB, a embarcação estava a aproximadamente 480 quilômetros ao norte de Fortaleza e 500 quilômetros de São Luís, uma área marítima extensa que tornou a operação especialmente complexa. Após a identificação, a aeronave permaneceu acompanhando o barco e auxiliou na orientação do Navio-Patrulha Oceânico Araguari, da Marinha, responsável por dar continuidade aos procedimentos de resgate.

O episódio também mostrou como tecnologia, coordenação entre diferentes forças e procedimentos especializados podem ser decisivos em operações realizadas longe da costa. Sistemas de comunicação, radar e sensores instalados na aeronave ajudaram na procura, enquanto observadores especializados da FAB fizeram a confirmação visual do alvo. Para familiares e comunidades pesqueiras de Itarema, o resultado encerrou dias de apreensão provocados pela perda de comunicação com a tripulação.

Como a FAB conseguiu encontrar os seis pescadores em alto-mar?

A participação da Força Aérea começou após uma solicitação de apoio do Serviço de Busca e Salvamento da Marinha, o SALVAMAR Nordeste. A partir do acionamento, o Centro de Coordenação de Salvamento Aeronáutico de Recife passou a coordenar o emprego dos meios aéreos. O Esquadrão Pelicano, sediado na Base Aérea de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, foi acionado ainda na noite de quarta-feira (2). Um SC-105 Amazonas decolou para participar da operação e permaneceu em atividade durante a madrugada, realizando uma parada em Belém para reabastecimento e substituição da tripulação antes de prosseguir para a área determinada.

O tamanho da área de procura representava um dos principais desafios. Antes da localização, a última posição conhecida divulgada inicialmente estava aproximadamente 150 quilômetros ao norte de Fortaleza. Conforme a operação avançou e novas informações foram processadas, as buscas chegaram muito mais longe da costa. A FAB informou posteriormente que a embarcação foi encontrada a cerca de 480 quilômetros ao norte da capital cearense, demonstrando a distância percorrida pelo barco durante o período sem comunicação.

Segundo a FAB, os equipamentos embarcados no SC-105 tiveram papel fundamental. A aeronave dispõe de sistemas avançados de comunicação, sensores e radar utilizados especificamente em missões de busca. Durante a tarde de quinta-feira, esses recursos permitiram uma identificação inicial na extensa área marítima. Posteriormente, militares especializados conhecidos como Observadores SAR fizeram a confirmação visual. Reportagem do Diário do Nordeste também destacou a utilização de sistema infravermelho, capaz de auxiliar a visualização em condições de baixa luminosidade.

Como foi a operação de busca desde o desaparecimento?

O barco havia deixado Itarema em 17 de agosto para uma viagem de pesca com duração prevista de aproximadamente 30 dias. A última comunicação conhecida ocorreu dez dias depois, em 27 de agosto. Sem novos contatos, a Marinha iniciou uma operação de busca e salvamento coordenada pelo SALVAMAR Nordeste. A mobilização ganhou dimensão à medida que os dias passaram sem que houvesse notícias da tripulação.

Na quinta-feira (3), antes da localização, a Marinha informou que 26 embarcações haviam sido contatadas para colaborar com as buscas, ampliar a vigilância e tentar obter informações sobre o barco desaparecido. A operação incluía o Navio-Patrulha Oceânico Araguari, meios aéreos e equipes da Agência da Capitania dos Portos em Camocim e da Capitania dos Portos do Ceará. A comunidade marítima também foi alertada para comunicar qualquer avistamento que pudesse ajudar na localização.

Após encontrar o barco, o SC-105 seguiu para São Luís para reabastecer e depois retornou à área. A aeronave permaneceu sobrevoando a embarcação para acompanhar sua posição e orientar o Araguari até o local. Esse procedimento é particularmente importante em ocorrências distantes da costa, pois encontrar uma embarcação não encerra automaticamente a missão: é necessário manter sua localização atualizada até que os meios marítimos responsáveis pelo atendimento consigam chegar à área.

O que aconteceu com os pescadores durante os sete dias sem contato?

Os primeiros relatos divulgados após a localização ajudam a dimensionar a situação vivida pelos tripulantes. Familiares disseram ao Diário do Nordeste que os pescadores chegaram a perder a esperança de serem encontrados. Mesmo assim, durante as noites, o grupo teria queimado objetos para produzir sinais e tentar chamar a atenção de embarcações ou aeronaves que estivessem nas proximidades. A estratégia mostra como recursos improvisados podem se tornar importantes quando uma embarcação perde seus meios normais de comunicação em uma área marítima distante.

Na quinta-feira, os tripulantes ouviram uma aeronave nas proximidades e utilizaram sinalizadores disponíveis no barco. O avião era justamente o SC-105 Amazonas do Esquadrão Pelicano empregado na missão. A FAB relata que a localização ocorreu depois da identificação feita pelos sistemas da aeronave e da posterior confirmação visual realizada pelos militares especializados. Depois disso, a prioridade passou a ser acompanhar a embarcação e orientar o navio da Marinha que seguia para o resgate.

O caso termina com uma notícia positiva para as famílias depois de uma semana de incerteza, mas também chama atenção para os desafios enfrentados por pescadores que trabalham a centenas de quilômetros da costa. Sistemas confiáveis de comunicação, equipamentos de localização e dispositivos de emergência podem reduzir significativamente o tempo necessário para encontrar uma embarcação quando ocorre uma pane ou perda de contato. No caso do S.E. Pescados, a combinação entre a mobilização marítima e a capacidade tecnológica do SC-105 Amazonas permitiu localizar os seis tripulantes em uma área a aproximadamente 480 quilômetros de Fortaleza, transformando uma busca que já durava vários dias em uma operação bem-sucedida de localização e salvamento.

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