Seca extrema atinge dezenas de cidades do Ceará e reforça combate à estiagem

Diego Velázquez
Diego Velázquez

Reservatórios em nível de alerta levam governo estadual e Banco do Nordeste a ampliar investimentos no semiárido cearense.

O Ceará enfrenta em 2026 um dos piores cenários de estiagem desde 2018, com reflexos diretos sobre o abastecimento de água em áreas rurais e urbanas. A seca extrema já atinge 68 cidades do estado, no pior nível registrado desde aquele ano. O quadro preocupa autoridades estaduais e federais, que intensificam ações para reduzir os impactos sobre a população e a produção agrícola no interior cearense. O POVO+

A situação dos açudes ilustra bem a gravidade do momento. Os reservatórios do estado operam hoje em estado de alerta, com apenas 39,2% da capacidade total. Municípios como Jaguaribara figuram entre os que registram situação de seca extrema neste ano, um cenário que se repete em diferentes regiões do semiárido nordestino. O POVO+

Carros-pipa e risco de desertificação no interior

Entre as medidas mais urgentes está o uso de carros-pipa para atender comunidades isoladas. A crise tem forçado o uso de carros-pipa em cidades como Caucaia e Aiuaba, além de ameaçar a fauna e a agricultura em regiões como o Maciço de Baturité, onde o cultivo da banana e as temperaturas elevadas sinalizam um processo preocupante de desertificação. O POVO+

A situação expõe a fragilidade de comunidades que dependem diretamente da regularidade das chuvas para sobreviver. Para essas famílias, a rotina passou a incluir racionamento de água e dependência de caminhões-pipa, uma realidade que se repete em ciclos de estiagem há décadas no semiárido cearense.

O papel do Banco do Nordeste e do governo federal

O papel do governo federal na resposta à crise passa, historicamente, pelo Banco do Nordeste. A instituição, cuja relação com a seca no Ceará é histórica e estrutural, já que surgiu como resposta às severas estiagens que assolavam a região, tem financiado ações que auxiliam na convivência com o semiárido. O POVO+

Os números do apoio financeiro federal ao setor rural são expressivos. Entre 2025 e 2026, o Banco do Nordeste disponibilizou 10,2 bilhões de reais para agricultores familiares em toda a região, dos quais 1,3 bilhão foi destinado exclusivamente ao Ceará, com mais de 762 milhões já aplicados até dezembro do ano passado. O POVO+

Do lado estadual, o governo do Ceará também tem investido em soluções de médio e longo prazo. Entre as respostas estruturais estão a usina de dessalinização na Praia do Futuro, a expansão da chamada Malha d’Água e a atração de empreendimentos de baixo impacto hídrico para regiões mais sensíveis à escassez. O POVO+

Um plano pioneiro e um desafio que é nacional

Uma das iniciativas mais recentes busca antecipar problemas antes que eles se tornem emergências. A Companhia de Água e Esgoto do Ceará está desenvolvendo o Plano de Gestão Proativa de Secas, uma iniciativa inédita no Brasil voltada à antecipação e mitigação dos impactos da escassez hídrica nos sistemas de abastecimento de água. Ufc

O fenômeno, porém, não é exclusividade cearense. A seca extrema atingiu 503 cidades brasileiras em 2025, deixando de ser um problema restrito ao semiárido nordestino e passando a afetar diversas regiões do país com recordes de temperatura e déficits hídricos prolongados em bacias fluviais estratégicas. O POVO+

Especialistas explicam que existem diferentes tipos de seca. Ela pode ser classificada como meteorológica, quando há déficit significativo de precipitação, agrícola, associada à perda de umidade no solo, ou hidrológica, ligada à redução do volume de água em rios e reservatórios, o que pode comprometer diretamente o abastecimento público. O POVO+

A resposta institucional ao problema tem raízes antigas. O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas foi criado em 1909 com o objetivo de combater os efeitos das secas no Nordeste brasileiro e ainda mantém sede em Fortaleza, mais de um século depois. O POVO+

Para gestores estaduais, a combinação entre crédito rural, obras emergenciais e planejamento proativo segue sendo a estratégia central para reduzir os impactos da estiagem sobre milhares de famílias cearenses nos próximos meses.

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