O que gestores escolares precisam saber sobre programas de triagem visual gratuita, como o Projeto Visão em Dia

Diego Velázquez
Diego Velázquez
Franco Douglas Lima Dias

Um dos obstáculos mais silenciosos ao desempenho escolar dentro das redes públicas de ensino é também um dos mais simples de identificar quando alguém se propõe a procurar: problemas visuais não corrigidos em crianças que nunca passaram por um exame oftalmológico. Para gestores escolares que lidam com turmas heterogêneas e com alunos cujo histórico de saúde é frequentemente desconhecido, compreender como programas de triagem visual gratuita funcionam é o primeiro passo para viabilizar o acesso a esse serviço dentro de suas unidades.

O Projeto Visão em Dia, iniciativa do Instituto Visão Conectada criada por Franco Douglas Lima Dias, já realizou esse tipo de atendimento em 18 unidades de ensino da região do Alto Tietê. O que o programa encontrou em cada uma dessas escolas é também uma informação relevante para qualquer gestor que queira entender a dimensão do problema e o que uma triagem especializada pode revelar dentro de sua própria unidade.

Por que gestores escolares deveriam priorizar a triagem visual dos alunos?

Professores observam diariamente comportamentos que podem indicar problemas visuais não diagnosticados: alunos que se aproximam demais do quadro, que copiam errado com frequência, que apresentam dificuldade de leitura sem causa aparente ou que evitam atividades que exigem foco visual prolongado. Sem triagem especializada, esses sinais raramente chegam a um diagnóstico. O aluno continua sendo avaliado pelo seu desempenho, sem que a causa real de suas dificuldades seja identificada.

Uma triagem visual realizada dentro da escola, como a que o Projeto Visão em Dia oferece, resolve esse problema de forma direta. A equipe chega com equipamentos adequados, avalia cada aluno individualmente e produz diagnósticos que o gestor e os professores podem usar para entender melhor as necessidades daquelas crianças. Para Franco Douglas Lima Dias, que passou anos na escola com problemas visuais não identificados, essa informação é exatamente o que deveria chegar a todos os gestores escolares.

O que uma triagem do Projeto Visão em Dia revela que uma avaliação pedagógica não consegue?

Uma avaliação pedagógica identifica dificuldades de aprendizado. Uma triagem visual identifica causas físicas que podem estar por trás dessas dificuldades. As duas informações são complementares, mas a segunda raramente está disponível para os gestores das escolas públicas brasileiras. O Projeto Visão em Dia preenche essa lacuna ao trazer para dentro da escola uma avaliação que vai além da acuidade visual básica e que identifica condições como o ceratocone, doença degenerativa da córnea que exige equipamentos específicos para diagnóstico.

Franco Douglas Lima Dias
Franco Douglas Lima Dias

Conforme aponta a trajetória do programa, cada escola visitada revelou casos que a avaliação pedagógica não havia conseguido identificar como tendo causa visual. O diagnóstico chegou pelo exame, não pelo desempenho escolar.

Como gestores podem viabilizar a chegada do programa às suas escolas?

Gestores interessados em receber o Projeto Visão em Dia em suas unidades podem buscar contato com o Instituto Visão Conectada para verificar a possibilidade de inclusão nos próximos ciclos de ação. O programa atende escolas municipais e estaduais da rede pública, além de instituições especializadas, e a seleção das unidades contempladas em cada ciclo considera a demanda identificada e a logística de cada ação.

Na avaliação de Franco Douglas Lima Dias, a demanda de gestores escolares por esse tipo de atendimento é parte do que orienta a expansão do programa para novas unidades. Cada escola que solicita a visita está também sinalizando que há crianças naquele ambiente que precisam do serviço.

O que os gestores das escolas já atendidas relataram sobre o impacto do programa?

Os relatos dos gestores e responsáveis pelas instituições já atendidas pelo Projeto Visão em Dia são consistentes em um ponto: o programa revelou casos que a escola não havia conseguido identificar por conta própria. A diretora da APAE de Ferraz de Vasconcelos, Lara Benute, foi direta ao descrever o que a visita do programa significou para a instituição: “Algo que só foi possível identificar por causa do atendimento realizado aqui.”

Para Franco Douglas Lima Dias, esses relatos são a evidência mais concreta de que o modelo do Visão em Dia funciona e de que a demanda por esse tipo de serviço existe em cada escola pública que ainda não foi atendida pelo programa.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

Compartilhe este artigo