O empresário especialista em educação, Sergio Bento de Araujo, acompanha de perto os desafios da educação brasileira e observa que a Educação de Jovens e Adultos enfrenta um momento crítico. Nos últimos anos, os dados mostram queda contínua nas matrículas, mesmo com milhões de brasileiros sem a educação básica concluída. Esse paradoxo revela que o problema não é apenas oferta de vagas, mas permanência, metodologia e conexão com a realidade do aluno adulto.
Ao longo deste artigo, você vai entender por que tantos estudantes deixam a EJA, quais barreiras mais impactam esse público, como tecnologia e metodologia podem ajudar a reverter o cenário e de que forma projetos educacionais mais inclusivos podem devolver sentido e continuidade ao processo de aprendizagem.
Por que as matrículas da EJA vêm caindo nos últimos anos?
Segundo Sergio Bento de Araujo, a queda nas matrículas da EJA está ligada a fatores sociais, econômicos e pedagógicos. Muitos alunos adultos conciliam estudo com trabalho, família e longos deslocamentos, o que torna a permanência na escola um desafio constante. Quando o modelo educacional não considera essa realidade, a evasão tende a aumentar.

Outro fator relevante é a percepção de utilidade. Parte dos estudantes não enxerga relação direta entre o conteúdo oferecido e suas necessidades práticas, como qualificação profissional ou progressão no trabalho. Sem significado claro, o esforço de permanecer nos estudos perde força ao longo do tempo.
Quais barreiras mais afastam jovens e adultos da sala de aula?
A principal barreira enfrentada pelo aluno da EJA é o tempo. As jornadas extensas de trabalho, responsabilidades familiares e cansaço físico afetam a frequência e o rendimento. Além disso, a insegurança acadêmica, causada por trajetórias escolares interrompidas, pode gerar medo de não acompanhar o ritmo das aulas.
Há também barreiras emocionais, visto que, como apresenta Sergio Bento de Araujo, muitos estudantes carregam experiências anteriores de fracasso escolar, o que impacta a autoestima e a motivação. Compreender essas dimensões é essencial para construir projetos educacionais que acolham, em vez de afastar, o aluno adulto.
Como metodologias mais flexíveis podem melhorar a permanência?
Metodologias flexíveis são um dos caminhos mais eficazes para ampliar a permanência na EJA. Modelos híbridos, com parte do conteúdo mediado por tecnologia, permitem que o aluno estude em horários alternativos e avance conforme sua disponibilidade, tal como expressa Sergio Bento de Araujo, isso reduz faltas e aumenta a autonomia.
Além da flexibilidade de tempo, é fundamental flexibilizar a abordagem pedagógica. Conteúdos contextualizados, projetos práticos e atividades conectadas ao cotidiano do estudante tornam o aprendizado mais relevante. Quando o aluno percebe a aplicação direta do que aprende, a motivação para continuar cresce de forma consistente.
De que forma a tecnologia pode apoiar a educação de jovens e adultos?
A tecnologia pode ser uma aliada poderosa na EJA quando usada com propósito. Plataformas digitais, vídeos explicativos e ferramentas interativas facilitam a revisão de conteúdos e permitem que o aluno avance no próprio ritmo. Para muitos adultos, isso reduz a ansiedade associada ao retorno aos estudos.
Outro ponto importante é a personalização. Com apoio tecnológico, é possível identificar dificuldades específicas e oferecer materiais direcionados, evitando que o estudante se sinta perdido. O empresário especialista em educação, Sergio Bento de Araujo, destaca que a tecnologia, quando bem integrada, amplia o acesso, promove inclusão e fortalece a permanência do aluno.
Como projetos educacionais podem devolver sentido à EJA?
Projetos educacionais eficazes precisam dialogar com os objetivos do aluno adulto. Isso inclui conexão com o mercado de trabalho, preparação para certificações e valorização dos saberes prévios que o estudante já possui. A EJA não deve ser vista como um ensino de segunda linha, mas como uma oportunidade real de transformação.
O encerramento dessa discussão passa pela compreensão de que inclusão não é apenas matrícula, mas permanência e conclusão. Conforme conclui Sergio Bento de Araujo, fortalecer a EJA exige planejamento, metodologia adequada e uso estratégico da tecnologia, criando um ambiente em que o aluno se reconheça, se sinta capaz e encontre motivação para seguir até o final de sua trajetória educacional.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez